Dr. João Cezar de Castro Rocha e Clemente Ganz Lúcio subsidiam debates sobre desafios tecnológicos e disputas políticas; Plano define metas da Confederação para fortalecer o campo progressista nas eleições de 2026

A Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB encerrou com sucesso, nesta quarta-feira (17), sua Assembleia Geral Ordinária (AGO) do Conselho de Representantes no Rio de Janeiro. O segundo dia foi marcado por uma imersão estratégica: a análise de como as novas tecnologias, a comunicação digital e as disputas ideológicas moldarão a sobrevivência do serviço público e do sindicalismo nos próximos anos.
Assista abaixo à íntegra dos debates:
As atividades foram abertas com a consolidação administrativa e financeira do dia anterior (saiba mais). No entanto, o foco voltou-se rapidamente para o futuro. O presidente da CSPB, João Domingos Gomes dos Santos, deu o tom da urgência: "A ultradireita está atingindo em cheio as mentes e corações de jovens a idosos. Estamos perdendo essa batalha da comunicação e precisamos superar o dilema de ter a barreira da decência e da verdade contra uma máquina de ódio e mentiras."

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Comunicação, tecnologia e o "extermínio" do setor público
O primeiro painel contou com o professor Dr. João Cezar de Castro Rocha, que apresentou um diagnóstico contundente sobre a "uberização da cultura" e o avanço da extrema direita nas redes sociais. Para ele, as eleições de 2026 são o divisor de águas: "Se as forças democráticas forem derrotadas, o sindicalismo e os serviços públicos estarão profundamente ameaçados. O esforço da extrema direita será o extermínio das categorias do setor público, que são a última trincheira de resistência contra a destruição de pilares civilizatórios."

Castro Rocha alertou que a reforma administrativa e o sucateamento do Estado servem para alimentar o "financismo irracional". Diante disso, propôs uma mudança radical na forma como as entidades se comunicam: "É impossível driblar o algoritmo, mas se tivermos engajamento com uma comunicação que dialoga com os problemas do povo, conseguiremos capilaridade para equilibrar o jogo", afirmou.
Impactado pela análise e entusiasmado com as estratégias apresentadas, João Domingos convidou formalmente o professor Castro Rocha para ser um colaborador direto das estratégias de comunicação da CSPB, focando na construção de plataformas modernas e no combate às narrativas digitais adversas. O convite foi aceito prontamente pelo palestrante, consolidando uma parceria acadêmico-sindical inédita e promissora.
Estratégia eleitoral e pautas de apelo popular
O sociólogo Clemente Ganz Lúcio trouxe o debate para a realidade das novas relações de trabalho e a necessidade de ocupar espaços de poder. Ele destacou que a tecnologia está reconfigurando o Estado e que o movimento sindical precisa ser protagonista nessa transição.

"As escolhas políticas estão sendo orientadas por fé, não por racionalidade. Precisamos equilibrar a disputa no campo das emoções e paixões se quisermos vencer," afirmou Clemente. Ele defendeu que o movimento sindical deve abraçar pautas de forte apelo popular para acumular capital eleitoral para 2026: "Recomendo uma forte campanha celebrando a isenção do IR até R$ 5.000,00 e a luta pela redução da jornada de trabalho (fim da escala 6x1). Essas pautas interessam à maioria da população e geram conexão direta”, recomendou.
Clemente também alertou para a urgência de discutir a transição demográfica e a "pejotização", que destrói o sistema previdenciário: "Sem espaço democrático não há sindicatos, e sem sindicatos não há democracia. Precisamos eleger políticos progressistas para sobrevivermos”, alertou.

Aprovação das Diretrizes para o Plano de Ação e Lutas de 2026
- Todas as ações desse plano de ação devem ter como objetivo influenciar no processo eleitoral de 2026
- Defender o Marco Regulatório de Relações de Trabalho no Setor Público (MRSP), com prioridade para Convenção 151. Dentro da Convenção 151 estabelecer prioridade para a negociação coletiva.
- Enfrentamento à Reforma Administrativa (PEC 38/2025), evidenciando que não somos contra uma proposta Reforma Administrativa séria, nós mesmos temos proposta para regulamentar as relações de trabalho no setor público, o MRSP, mas somos taxativamente contra a PEC 38/2025 que é inaproveitável. Luta para rejeitá-la no Congresso Nacional.
- Aprovação para autorizar a Mesa Diretora a modificar a mesa diretiva, até mesmo ampliando seus quadros, de modo a perseguir a equidade de gênero dentro dela.
- Acolhimento da proposta de criar uma nova Diretoria de Convênios para o cumprimento desse restante de mandato, respeitando as diretrizes do regimento da CSPB.
A AGO foi encerrada com o compromisso de transformar a CSPB em um poderoso instrumento de comunicação e mobilização política para o próximo ciclo eleitoral, bem como para os desafios vindouros no setor público.
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Secom/CSPB
